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agosto 2016

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Comportamento, Geral, Reflexão

EM CASO DE TRISTEZA: CHORE.

Vivemos numa época em que ser feliz é um imperativo. Todos precisamos ser felizes a cada minuto do dia, como num anúncio de margarina (além de jovens e sarados). Isso é impossível e indesejável.

Como sabemos que algo é doce? Porque experimentamos o amargo. Como sabemos que é frio? Porque já experimentamos o quente. Da mesma forma só poderemos reconhecer a alegria se tivermos experimentado a tristeza.

Muitos pais tentam poupar seus filhos das frustrações inerentes a vida, para que eles não sofram, não fiquem tristes. No entanto, isso é inevitável. Não temos tudo que queremos, na hora e do jeito que queremos. A frustração e o erro são certezas. E dependendo da importância que damos àquilo que não conseguimos ou perdemos ficaremos um pouco tristes, muito tristes ou não ligaremos. Faz parte da vida.

Quando permitimos que as crianças fiquem tristes, chorem, vivam a frustração e as acompanhamos de forma afetiva nesse processo, nós as fortalecemos e lhes preparamos para a vida adulta.

Na adolescência as tristezas são vividas intensa e dramaticamente (como quase tudo). Novamente é importante permitir-lhes viver suas dores de crescimento, seu luto existencial. Ajudá-los a lidar com isso e, mais uma vez, preparar para a vida adulta.

Uma das justificativas para tentar impedir que as crianças e adolescentes (e até mesmo os adultos) fiquem tristes é o medo da depressão.

Tristeza não é depressão. Depressão é uma doença séria, tristeza faz parte da vida.

A tristeza precisa ser vivida. Algumas passarão com um chocolate, um abraço apertado ou um passeio no parque. Outras precisarão de um pouco mais… As tristezas precisam ser choradas, precisam escorrer para fora e lavar a alma no processo. Dói? Dói, mas dói menos vivê-la do que fazer de conta que ela não existe ou sufocá-la com falsa alegria.

Um tristeza mal vivenciada, essa sim, pode se transformar em doença. Porque o nosso corpo trabalha assim. Ele precisa expressar as emoções e se não permitimos ele vai fazê-lo em forma de doença.

Existe uma analogia de que gosto muito. Quando monitoramos os batimentos cardíacos temos um gráfico com altos e baixos. Isso significa que há vida. Quando o gráfico é uma linha reta a vida acabou. E é assim. Para nos sentirmos vivos temos que alternar momentos de alegria e tristeza, raiva e amor, ânimo e desânimo. Um estado perene de qualquer sentimento, mesmo a alegria, seria insuportável. Muitas vezes é de uma crise, de uma tristeza profunda que damos o salto em direção à realização, que passamos a compreender o que realmente é importante para nós, que começamos a construir a felicidade que desejamos.

Portanto, em caso de tristeza: chore.

 

 

 

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Comportamento, Geral, Reflexão

ADOLESCER

Adolescer é deixar a infância para traz e saltar, sem saber onde vamos aterrissar.

Essa é a frase do meu post dessa semana. Procurei traduzir nela um pouco do sentimento do adolescente.

A adolescência é uma fase de incertezas, angustias, medos e lutos. O adolescente deseja deixar de ser criança o mais rápido possível, mas essa não é uma tarefa muito fácil.

Quando deixa a infância para traz, deixa junto uma identidade e um corpo conhecidos e mergulha num universo de mudanças e desafios. O corpo se modifica em forma e tamanho e se torna, por vezes, um estranho que lhe apresenta novas sensações e sentimentos, muitas vezes incompreensíveis e com os quais tem que aprender a lidar. Não é mais criança, mas o que é então?

Deixa para traz os pais da infância. Pais antes mais compreensivos, dispostos a perdoar os erros e achar engraçadas algumas travessuras, se tornam mais exigentes e parecem não achar mais graça nas transgressões. As cobranças aumentam, mas nem sempre vem acompanhadas dos ganhos desejados. É a fase do: “você não é mais criança para isso” e do “você ainda não tem idade para isso”.

Além disso os pais, até então vistos como sábios heróis, passam a ser enxergados como seres humanos, com muitas qualidades, mas muitos defeitos também. Passa a questionar os valores, as regras, tudo enfim. Isso é necessário para que possa separar-se desses pais e criar a sua própria identidade, onde muitos dos ensinamentos paternos serão integrados, enquanto outros serão descartados.

Na adolescência a tarefa a realizar é grande. É preciso sair dela com algumas questões já conhecidas: a identidade, a escolha profissional e a orientação sexual.

Mas nem tudo é dificuldade. É uma fase de descobertas, de mudanças, de crescimento, de novas experiências. O adolescente é corajoso, arrojado, se arrisca, e por isso conquista, cresce, transforma-se e transforma o mundo a sua volta.

Ele é intenso!! Tudo é vivido com muita intensidade, as experiências boas e as ruins também. Alguns tendem ao drama. São capazes de ir da tristeza mais profunda e alegria mais intensa em poucos minutos.

São barulhentos e muitas vezes muito silenciosos. Por vezes transparentes, outras um mistério.

Por tudo isso a adolescência é uma fase linda e desafiadora para todos os envolvidos no processo.

Aos pais eu digo: muita paciência, muito amor e firmeza. O adolescente precisa do seu olhar e de sua presença. Precisa do seu limite, para ter segurança e para poder transgredir. Ele acha que sabe tudo, mas você sabe que não é assim.

Adolescência apesar dos desafios pode ser uma fase de muita felicidade. E se for bem vivida o prelúdio de uma vida adulta igualmente feliz e próspera.

No entanto, se ela estiver sendo muito difícil ou conturbada, é importante procurar ajuda. A Psicomotricidade Relacional trabalha muito bem com a adolescência, pois ele encontra um lugar de aceitação, em que pode se expressar livremente. Por ser uma atividade em grupo percebe que não está só. E como o adolescente pode ser muito calado, por privilegiar a linguagem não verbal e o jogo simbólico, torna mais fácil para ele falar de si.

 

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Comportamento, Geral, Reflexão

AI QUE SONO…

Hoje quero falar de um assunto que tem sido recorrente em meu consultório: o sono das crianças. As crianças hoje em dia dormem pouco! E isso não é saudável.

O sono é muito importante para o desenvolvimento das crianças e o ideal é que durmam de 09 a 10 horas por dia. Enquanto elas dormem elas crescem, o corpo se prepara para as aventuras do dia seguinte, o cérebro processa as aprendizagens do dia, armazena as mais significativas e muito mais.

Noites mal dormidas ou poucas horas de sono podem interferir no aprendizado. Crianças que dormem pouco podem ficar irritadiças, ter dificuldade para prestar atenção na aula, ter alterações de humor (podendo chegar a depressão), etc. Algumas pesquisas apontam que crianças que não tem rotina para dormir e dormem poucas horas têm um desempenho pior em testes escolares e um empobrecimento emocional, cognitivo e na sua criatividade, além de uma diminuição da capacidade de armazenamento de informações.

Estabelecer uma rotina com horário para ir dormir, ir baixando os estímulos um pouco antes (diminuir as luzes, desligar a TV, etc.), deixar o banho para o final do dia, um leitinho quente são atitudes que podem ajudar.

No entanto, existe um outro fenômeno ligado ao sono que me preocupa. Crianças de dois, três, sete anos que dormem no quarto e até mesmo na cama dos pais!! Isso é muito não é saudável, nem para criança nem para o casal.

Para o casal é ruim porque além de prejudicar o sono atrapalha a intimidade do casal. Para muitos pais a pergunta a ser feita é: Por que vocês precisam que seu filho fique entre vocês dois?

Para a criança é ruim por vários motivos. Porque impede ela de crescer emocionalmente. Os bebês podem dormir no quarto dos pais, as crianças maiores, os adolescentes e os adultos dormem no seus quartos.

É ruim porque gera insegurança, pois se os pais mantêm o filho no quarto é porque ele não tem condições de dormir sozinho.

Pode expor a criança a sexualidade dos pais o que não é bom para o seu desenvolvimento psíquico.

Quando a criança é mais velha pode trazer dificuldades na sua socialização, pois ela se envergonhará de contar isso na escola e muitas vezes não poderá ir dormir na casa de um amigo (ou convidar um para dormir na sua casa) porque não consegue dormir longe dos pais.

A tarefa de tirar o filho do quarto (e da cama) dos pais não é fácil. É um processo doloroso para todos e tanto mais doloroso quanto mais velha é a criança.

Por isso a criança deve dormir desde bebê no seu berço e depois na sua cama e no seu quarto. Ser pai e mãe é uma tarefa cheia de encantos e prazeres, mas também é trabalhosa. E isso incluí levantar algumas vezes a noite para cobrir o filho, atender seu chamado, etc. Faz parte.

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Comportamento, Geral, Reflexão

CONHECE-TE A TI MESMO

Essa célebre frase, a princípio atribuída ao sábio grego Tales de Mileto, encerra um dos grandes desafios que temos em nossa vida: conhecer-nos verdadeiramente. Essa é uma tarefa complexa, mas muito importante.

Sempre que pergunto para uma pessoa, seja aluno ou cliente, se ele se conhece recebo, na maioria das vezes, uma resposta afirmativa. Essa é uma ilusão que muitos têm. Não nos conhecemos profundamente. Nossa vida é tão agitada que muitas vezes não temos tempo de olhar para nós mesmos, entrar em contato com nossas emoções e sentimentos. Conhecer alguém demanda tempo…

Por que é tão difícil o autoconhecimento? Porque este é um processo que só termina quando nossa vida termina. Nós crescemos, passamos de uma fase do ciclo vital para outra, evoluímos, mudamos. Eu não sou a mesma mulher que era a dois anos e espero ser diferente daqui a dois anos. Não apenas mais velha, mas diferente, melhor, mais sábia, aprimorada…

E por que é tão importante se conhecer? Primeiro porque para conhecer o mundo a nossa volta e para conhecer os outros primeiro precisamos nos conhecer.

É importante para podermos fazer escolhas mais acertadas em nossa vida. Se eu não sei o que desejo para minha vida, se não sei onde quero chegar, se não sei quais são minhas maiores habilidades e as minhas limitações, se não sei o que preciso numa relação de amor, se não sei o que possa dar é muito provável que eu chegue a lugares que não me agradam, que escolha um trabalho onde as minhas chances de sucesso e realização sejam pequenas, que eu me envolva em relações afetivas que não me fazem feliz e assim por diante. É possível que eu fique repetindo os mesmos erros.

Outra razão para investirmos no autoconhecimento é que se sabemos quem somos verdadeiramente passamos a dar menos importância ao que os outros pensam de nós. Nossa autoestima melhora, pois é muito difícil amar o que não se conhece. Nossa autoconfiança também melhora, pois temos mais chances de fazer escolhas que nos levem a experimentar o sucesso.

Mas como me conhecer melhor? Volte seu olhar para você mesmo, procure se escutar, sentir o que o seu corpo lhe diz. Dedique um tempo a isso.

Uma outra possibilidade é um processo psicoterapêutico. Normalmente as pessoas buscam a psicoterapia para aprender a lidar com uma situação que lhes causa dor, angústia. Mas ao longo do processo acabam se conhecendo melhor. Entendendo porque aquilo lhe angustiava, porque chegou ao ponto de se envolver em tal situação, quais as suas ferramentas para lidar com ela e o que fazer para que o fato não se repita. Isso é conhecer-se.

Nesse sentido a ACR – Análise Corporal da Relação apresenta-se como uma metodologia diferenciada, que permite não só o profundo conhecimento de si mesmo, mas a ressignificação de experiências marcantes, libertando-nos de amarras que nos prendem a acontecimentos passados e nos permitindo a realização de nosso potencial afetivo e criativo, nos tornando mais autônomos, capazes de fazer melhores escolhas e acima de tudo nos ajudando a conquistar a vida plena e feliz que tanto desejamos.