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setembro 2016

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Análise Corporal da Relação, Comportamento, Geral, Reflexão

ISSO É UM ABUSO!

Tomei conhecimento essa semana de um movimento chamado #relacionamentoAbusivo. Esse movimento procura mostrar às mulheres que outras ações, além da violência, são indicativas de que elas se encontram num relacionamento abusivo e dessa forma ajudá-las a perceber a realidade de seus relacionamentos. Iniciativas como essas são muito importantes e devem ser divulgadas.

Ainda que a maioria dos depoimentos que li se referiam a relacionamentos amorosos, acredito que essa realidade pode ser estendida para relacionamentos de trabalho, familiares e de amizade.

Os depoimentos falam sobre se sentir vigiada, sufocada, controlada, insegura, culpada, ridicularizada, etc. Afastar-se dos amigos, duvidar de sua capacidade, medo de ficar sozinha e não encontrar outra pessoa também fazem parte do discurso dessas mulheres.

Perceber que está num relacionamento abusivo é a primeira etapa de um processo que, para evitar repetir a história, deve ser mais profundo. As questões que precisam ser respondidas são: Por que me envolvi num relacionamento dessa natureza? Por que permaneço nele? Por que sempre me envolvo em relacionamentos assim?

Responder a essas perguntas pode ser uma tarefa complexa. Exige um despir-se para poder se ver de verdade.

Uma razão para se envolver nesse tipo de relacionamento pode ser uma autoestima baixa, uma insegurança em relação a sua capacidade de realização, de ser atraente e interessante, de ser amada. Insegurança em relação ao seu valor como mulher e como ser humano.

Toda pessoa passa por momentos em que tem dúvidas e que se sente por baixo. Faz parte. Mas isso não a leva a um relacionamento dessa natureza. Muitas vezes só o discurso de que merece o melhor, que é bonita, inteligente, etc. não é o suficiente para mudar as coisas. As raízes desse sentimento são mais profundas e foram crescendo ao longo dos anos, sem que ela se desse conta. Assim aceita um trabalho que não gosta ou que está aquém de sua capacidade, não vai atrás do que deseja aceitando o que lhe é dado e acaba por envolver-se em relacionamentos abusivos.

Para aquelas que desejam não só melhorar sua autoestima, mas compreender o porquê dessa sensação de menos valia e fazer mudanças, a Análise Corporal da Relação (ACR) é um caminho. Nesse processo é possível revisitar sua história, compreender o que aconteceu e fazer mudanças.

 

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Comportamento, Geral, Reflexão

UMA DOR MAIOR QUE A VIDA

Setembro é amarelo! Desde 2014 setembro se veste de amarelo em uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. É um tema que a maioria prefere evitar, pois choca a ideia de que alguém tire a sua própria vida. Não compreendemos.

Quando alguém tentou o suicídio ou suicidou-se ouço alguns comentários como: quem tenta está querendo chamar a atenção, pois se quisesse mesmo teria se matado. Ou: é um covarde.

O fato é que notícias a esse respeito sempre causam alguma reação, mas nunca são ignoradas.

Não é minha área de atuação, mas já tive, em meu consultório, algumas pessoas que fizeram tentativas de tirar a própria vida. Quero refletir sobre o que aprendi com elas.

Seja qual for o motivo que as levem a pensar em atitude tão extrema, o fato é que elas se encontram num estado de profunda dor e desesperança. Não encontram, por mais que tentem, uma forma de lidar ou superar a sua dor. Sentem-se impotentes diante dela. E o suicídio passa a ser visto como uma solução, uma forma de terminar com tamanho sofrimento.

Muitas vezes se sentem sós. Como se ninguém visse ou compreendesse o seu sofrimento. E, para muitos, isso é um fato real.

Eu acredito que quando uma pessoa tenta o suicídio ela não está tentando chamar a atenção, mas está pedindo socorro! É preciso ouvir e levar a sério esse pedido. Pois ele será repetido e em algum momento essa tentativa pode dar certo.

Alguns sentem culpa, pois percebem que existem pessoas com problemas muito mais graves, em situações muito mais difíceis do que a sua e conseguem enfrentar. O fato é que a dor do outro não lateja em mim. E só eu sei como minha dor dói. Mas acima de tudo, não me parece que seja possível fazer uma comparação, pois muito mais que o tamanho ou gravidade do problema, o que conta aqui é a estrutura, a capacidade, o repertório que cada um construiu ao longo da vida para lidar com a dor.

O instinto mais forte do ser humano talvez seja o de sobrevivência. Basta olharmos para as inúmeras histórias de pessoas que sobreviveram em situações as mais difíceis de privação, de dor, de doença e sobreviveram. Sobrepujar esse instinto e acabar com a própria vida nos dá a dimensão da dor, do desespero e do desamparo em que essas pessoas se encontram.

Portanto, antes de julgarmos as pessoas que tentam ou se suicidam, vamos estender uma mão. Muitas vezes o que elas precisam é isso, alguém que fique ao seu lado e em silêncio ouça a sua dor.

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Comportamento, Geral, Reflexão

SER CHATO FAZ PARTE.

Engraçado como as conversas se desenvolvem. Começamos com um assunto, que leva a outro e a outro… Hoje na sala dos professores, no intervalo, começamos falando sobre a Ocktoebrfest de Blumenau e terminamos falando sobre como é importante ter pais chatos!

Alguns relatavam sua experiência como filhos, outros sua experiência como pais. Ouvi, relembrei, pensei em alguns pacientes e concordei. Os pais de hoje não são suficientemente chatos. Mais do que isso: eles precisam, demasiadamente, ser amados.

Por que chatos? Porque a tarefa de educar e preparar os filhos para a vida nem sempre é fácil ou agradável.

Ensinar a sentar-se direito, comer com a boca fechada, cumprimentar os mais velhos faz parte da tarefa de ser pai e, para que sejam integradas, serão repetidas infinitas vezes. Isso é chato (para as duas partes).

Mandar tomar banho, dormir, fazer a lição, desligar o joguinho e o Ipad é ser chato.

Dizer que não pode ficar mais um pouco na piscina, que não pode ir na festa porque tem prova no dia seguinte, que não pode sair porque você não conhece quem vai, porque não tem idade para ir na balada é ser chato.

Querer falar com a mãe do amigo para saber se vai ter algum adulto em casa na hora da festa, acompanhar até a porta, querer conhecer os amigos é ser chato.

Mas muito mais do que ser chato essa é a maior prova de amor que se pode dar a um filho. Ser chato é difícil, cansativo, trabalhoso. Ser legal é muito, mas muito, mais fácil. Só quem ama é chato.

Os filhos não pedem para nascer e é responsabilidade dos pais amá-los incondicionalmente, ao ponto de serem chatos. Amá-los ao ponto de aguentar ver a frustração, a dor que dizer não causa. Amá-los a ponto de aguentar cara emburrada, portas batendo, malcriação, cara feia. Aguentar comparações com tantos pais que são muito mais legais. Aguentar ser odiado em alguns momentos.

Amigos seus filhos terão muitos. Alguns os acompanharão a vida toda, outros passarão um fase com eles. Alguns serão verdadeiros e estarão sempre ao lado deles. Outros serão falsos e os decepcionarão.

Mas pai e mãe eles só terão um. Não abram mão desse lugar, tão especial. Não abram mão dessa tarefa que, embora complexa, é uma experiência única e gratificante. Amem seus filhos. Sejam chatos!!!