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outubro 2016

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Análise Corporal da Relação, Comportamento, Geral, Reflexão

FELIZ É AQUELE SE ACEITA

Hoje assisti um vídeo falando da importância do autoconhecimento para o sucesso e a felicidade. Verdade. É muito importante nos conhecermos profundamente para fazermos nossas escolhas de forma mais acertada. Já escrevi sobre isso em outro artigo (Conhece-te a ti mesmo).

Hoje quero voltar ao assunto, mas falando de um outro aspecto. Conforme vou me descobrindo e me conhecendo melhor, surgem duas tarefas importantes, mas nem sempre muito fáceis.

A primeira delas é mudar. E como é difícil mudar. Todos que tentaram deixar de fumar, começar uma dieta, ser menos ciumentos, etc. sabem como mudar exige esforço, atenção constante e perseverança.

Esse é um caminho de idas e voltas. Momentos de sucesso e retrocesso. Até que o novo comportamento se torna parte integrante de nossas vidas algum tempo vai se passar.

Algumas coisas são mais simples de mudar, outras mais difíceis e algumas impossíveis. Não importa o quanto desejamos ou o quanto nos esforçamos não conseguiremos mudar tudo o que não gostamos em nós.

E assim surge a segunda tarefa importante: aceitação. Não podemos passar a vida brigando com algo que faz parte de nós e não podemos mudar. É um gasto inútil de energia. É preciso aceitar.

Quando aceito minhas limitações, meus defeitos, quando aceito quem eu sou, me liberto! Estou livre para verdadeiramente Ser. Estou livre para viver o que é possível para mim, o que é a minha verdade.

As coisas se simplificam. Se alguém nos critica, aponta uma falha, isso não nos fere ou paralisa, pois já sabemos e aceitamos que é assim.

Quando alguém exige de nós algo que vai além daquilo que sabemos é possível para nós, podemos dizer não, sem culpa, nem desculpa. Não gastarmos energia em algo que sabemos de antemão não daremos conta.

A beleza de sermos quem somos está não só em nossas potencialidades, mas também em nossas falhas. Mais do que as qualidades, talvez o que nos torne únicos sejam nossos defeitos e a forma como lidamos com eles.

Quando aceitamos quem somos, paramos também de tentar nos encaixar no ideal do outro. Se eu me aceito em minha totalidade, também vou querer que o outro faça o mesmo.

Mas como fazer isso? Acredito que investir num processo psicoterapêutico ou analítico é um caminho para isso. Quem arrisca encarar-se de frente, desnudar-se sem pudor, enxergar-se em sua fragilidade tem a coragem necessária para a mudança e para a aceitação. Tarefa complexa, mas que é facilitada quando pode ser compartilhada com o psicoterapeuta ou analista, que lhe acompanha, lhe questiona, mas antes mesmo de você, lhe aceita como você é, sem julgamento.

Conhecer-se e aceitar-se além de liberdade nos traz a possibilidade real da felicidade e da prosperidade.

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Comportamento, Geral, Reflexão

HELP!!

This week I was running at Barigui Park when I saw something unusual. Several ruined cars, many firefighters, some food trucks. I was curious, so I went to check out what was going on. It was the World Rescue Challenge – 2016, an anual event, organized by the World Rescue Organizations – WRO, promoted here in Curitiba by the Associação Brasileira de Resgate e Salvamento – ABRES. Car rescue teams from all over the world came to compete and share experiences. Teams from Brazil, Spain, United States, France, Portugal, Colombia, Luxembourg, Romania, Netherlands, Great Britain, Australia and many other countries attended.

Some car accidents are simulated for the challenge, with a victim, and the rescue teams came to rescue the victim. The “accidents” are from diferente seriousness levels. Before arriving to the scene the teams were confined because you never know in advance what you are going to find in an accident. Everything is done to look real. The commitment of the teams is also real.

I was wondering how I would feel if I were involved in a car accident, hurt and stuck. Scared, afraid, in pain… The arrival of a rescuer would bring me some hope.

I’ve always deeply respected rescuers, but after watching a rescue and talking to some rescuers I admire them even more. They are with us in a very fragile moment and they do whatever is possible to save us, even putting their own lives at risk.

I had the opportunity to talk to some rescuers and I was really impressed.

When we saw an accident we don’t realize how difficult is to rescue a victim alive from a destroyed car. Beyond equipment, much technique, quick reasoning and team work are required.

The rescuers work really impressed me, specially their commitment and dedication. Team Spain told me that they had some financial support for the plane tickets, but all the other expenses were on their own. They explain that they think that the investment is worth because being with rescuers from other teams and countries learning and sharing experiences is very importante to increase the quality of their work.

I also talked to Team Romania and to a Brazilian team. They also agree that the opportunity of attending to the challenge is a great experience that improve the quality of their work.

We live in a very fast and chaotic world. We are always in a hurry and can’t wait. We must arrive fast, arrive first. We can’t wait to talk on our cel phones. We are stressed and angry and sometimes we show it with our behavior on the streets. We put our and others lives at risk. Most of the car accidents are caused by human imprudence. At this moment the rescuers arrive with all their equipment, and technique, but most of all, with their dedication and commitment in doing all their best to save us.

Rescuers deserve all our respect, admiration and support. I do hope we never be involved in a car accident, but if that happened I’m sure that we would be in very good hands!

 

 

 

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Comportamento, Geral, Reflexão

SOCORRO!!

Esta semana estava correndo no Parque Barigui quando me deparei com um cenário inusitado. Vários carros acidentados, barracas, muitos bombeiros. Curiosa fui ver o que era. Tratava-se do World Rescue Challenge – 2016, evento anual, realizado pela World Rescue Organization – WRO, sendo que o evento aqui em Curitiba foi promovido pela ABRES – Associação Brasileira de Resgate e Salvamento. O evento congrega equipes de resgate veicular do mundo inteiro, numa competição e confraternização. Equipes do Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Colômbia, Luxemburgo, Romênia, Holanda, Grã Bretanha, Austrália entre outros.

Para os desafios são montados “acidentes”, com vítima, e as equipes chegam para o resgate. São simulados acidentes de diferentes gravidades, principalmente no que toca as condições da vítima. Antes de chegarem ao “acidente” as equipes ficam confinadas, pois ninguém sabe o que vai encontrar quando se dirige para um resgate. Tudo é feito para que pareça muito real. E a seriedade e comprometimento das equipes com o resgate são verdadeiros.

Fiquei imaginando como me sentiria se estivesse ferida e presa dentro de um carro envolvido num acidente. Assustada, com medo, sentindo dor… A chegada do socorrista seria um alento, uma luz.

Sempre tive o maior respeito pelos socorristas, mas ao ver um resgate e conversar com alguns deles passei a admirá-los ainda mais. Eles estão conosco num momento de extrema fragilidade e não medem esforços para salvar-nos, chegando a arriscar a própria vida.

Tive a oportunidade de conversar com alguns desses profissionais, de diferentes países. Fiquei impressionada, muito impressionada.

Quando vemos um acidente não aquilatamos o quão difícil pode ser retirar de dentro de um carro destruído uma pessoa ferida. Além de equipamentos é necessária muita técnica, raciocínio rápido e trabalho em equipe.

O trabalho me impressionou, mas o que mais me chamou a atenção foi o espirito desses homens e mulheres, sua dedicação.

Uma das equipes com que conversei, da Espanha, comentou que eles não têm licença do trabalho e que receberam uma ajuda de custo para as passagens, mas as demais despesas são por conta deles. Fazem o esforço porque consideram que a oportunidade de estar com outros profissionais, aprendendo e compartilhando experiências é fundamental para o sucesso de seu trabalho.

Conversei também com uma equipe da Romênia e outra de Rondônia. O espírito é o mesmo. Congraçamento, partilha, aprendizado.

Vivemos num mundo veloz, caótico. Estamos sempre atrasados, não podemos esperar. É imperativo falar no celular naquele momento, é preciso chegar rápido, é preciso chegar primeiro. Estamos estressados, irritados e muitas vezes damos vazão a esses sentimentos no trânsito. Colocamos nossas vidas e a de outros em risco. A grande maioria dos acidentes é causada por imprudência. Pois é nessa hora que chegam os socorristas, com seus capacetes, luvas, serras e tantos outros aparatos. Mas acima de tudo chegam homens e mulheres que dedicam a vida a fazer o máximo para que nossos erros não sejam fatais.

Os socorristas merecem todo nosso respeito, admiração e apoio. Espero sinceramente que nunca precisemos, mas depois de tudo o que vi, sei que, caso nos envolvamos num acidente, quando a equipe de socorristas chegar estaremos em boas mãos.

 

 

 

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Comportamento, Geral, Reflexão

SER OU TER?

Ainda estamos em outubro e quero continuar falando sobre as crianças. Esses dias me deparei com um vídeo, que postei em minha página no face, que mostrava alguns pais e filhos brincando enquanto esperavam para experimentar um novo brinquedo que seria lançado no mercado. Brincavam de coisas muito simples que estavam a disposição: desenhavam, peão, telefone feito de lata e barbante, coisas de uma infância de antigamente. Quando finalmente foram chamados para conhecer o tal brinquedo puderam se ver enquanto brincavam juntos, pois este era, na realidade, o propósito. Pais e filhos se emocionam. Eu também me emocionei.

Percebo no meu dia-a-dia no consultório muitos pais e filhos que não estão brincando juntos, desfrutando verdadeiramente um da companhia do outro.

A correria do mundo moderno tem dificultado as coisas, sem dúvida. Mas creio que cabe aqui outra reflexão.

Vivemos num mundo que tem, insistentemente, priorizado o ter em relação ao ser.

Já me deparei com muitos homens e mulheres que querem ter filhos, mas não querem ser pais. Existe uma diferença enorme entre uma coisa e outra.

Se tenho filhos eles passam a ser um objeto para minha satisfação, para a realização de um propósito pessoal. Sendo assim, quando as coisas não saem como planejado, e nunca saem, fico bastante incomodado. Se os filhos não são como o planejado, se demandam de mim mais tempo e trabalho do que eu tinha planejado dispender nesse projeto, as coisas ficam difíceis para ambos os lados. E se não tenho tempo ou disposição, eu terceirizo o cuidado. Terceirizo para escola, babás, avós, etc.

Essas crianças, embora muito bem cuidadas, que ganham inúmeros presentes, etc., sofrem de um abandono silencioso, que lhes deixa um vazio na alma que pode ser revelado em comportamentos inadequados, dificuldades de aprendizagem, depressão, etc.

Sei que muitos pais realmente precisam dividir a tarefa com outras pessoas, mas isso não tira deles a responsabilidade. Eles são os pais!! E esses quando se reencontram com os filhos no final do dia, sentem profunda alegria e, apesar do cansaço, encontram tempo para eles.

Fica um pedido. Se uma mulher diz que não quer ser mãe, não insista! Isso não é o desejo de todas. E se ela resolve aceitar a tarefa para dar uma satisfação à sociedade ou à família as chances são grandes de que ela terá um filho, mas não necessariamente será mãe. O mesmo vale para os homens!

Quando resolvem ser pais, as pessoas assumem uma nova função em suas vidas, que em muitos momentos será prioritária. Assumem o cuidado, a responsabilidade pelo desenvolvimento de outra vida. Embora, naturalmente, todos tenham expectativas em relação aos filhos, quando algo não sai como o esperado isso não é tão incômodo, pois filhos não são um produto que veio com defeito ou que insiste em funcionar de um jeito diferente e, embora as coisas tenham que ser adaptadas, a realidade não muda: continuam sendo pais, de filhos diferentes do imaginado, mas pais.

Ser pai/mãe, muito mais do que brinquedos, aulas, roupas novas, etc., demanda tempo, presença, escuta, paciência. Demanda o seu ser conectando-se a outro ser. Porque o que toda criança quer é ser filho e não, ter pais.

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Análise Corporal da Relação, Comportamento, Geral, Reflexão

OUTUBRO É ROSA

Outubro é rosa!! Para lembrar-nos que devemos cuidar de nossa saúde, em especial para nos prevenirmos do câncer de mama.

O câncer de mama deve ser levado a sério. Primeiro por se tratar de um câncer, uma doença que se não for diagnosticada precocemente e tratada pode levar a morte.

Mas esta doença é feminina! Ela ataca os seios e dessa forma ataca a mulher na sua feminilidade, na sua possibilidade de ser desejada, na sua beleza. Ataca a mulher na maternidade, pois amamentar é um gesto de amor, é nutrir a vida e é, essencialmente, do feminino. O câncer nos fragiliza para além da doença, nos fragiliza em nossa essência.

Isso me leva a duas reflexões. Muitas mulheres não praticam o autoexame apesar das inúmeras campanhas, apesar do outubro ser rosa. Por que? Será o medo de encontrar algo? É provável que sim. Mas me pergunto se não existe aí também uma dificuldade de lidar com a sua feminilidade, com a sensualidade e a sexualidade das quais os seios também fazem parte. Penso que a maior dificuldade seja tocar-se verdadeiramente.

Em muitos momentos do meu percurso profissional como Analista Corporal da Relação e psicóloga me deparei com mulheres que, apesar de uma vida sexual ativa e de terem filhos, não tinham intimidade com o próprio corpo, não o conheciam, não o tocavam de forma cuidadosa e afetiva. Não sentiam prazer.

As razões? As mais variadas. Por isso acredito que ao fazermos uma campanha de conscientização, maravilhosa por sinal, devemos também falar da importância da mulher apropriar-se do seu próprio corpo, amá-lo, senti-lo e cuidar dele com todo o afeto e atenção que ele merece.

O que me leva a segunda reflexão. Muitas vezes o tratamento do câncer de mama leva a necessidade da retirada de uma ou das duas mamas. Uma cicatriz que, mesmo após a reconstrução, marca a vida da mulher. Assim como já ouvi de mulheres que tiraram o útero, vem o sentimento de ser menos mulher. Como se toda a beleza, toda a essência do ser mulher estivesse depositada nessas duas partes de nosso corpo. E isso é mais difícil numa época em que o modelo de beleza é inatingível para a grande maioria de nós.

A beleza da mulher, de qualquer pessoa, está para além do corpo. Está na alma, nas atitudes, no cuidado, na alegria que ela tem. Todo corpo é belo! Cada um na sua forma e no seu tamanho. É o nosso lugar de existência, é ele que nos permite a relação com o outro e com o mundo. Não existe corpo errado ou feio, existe corpo mal cuidado, desrespeitado e não amado.

Que no outubro rosa e em todos os outros meses possamos olhar para nossos corpos com afeto, com delicadeza, de forma a enxergarmos quão maravilhoso e belo ele é.

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Comportamento, Geral, Reflexão

É HORA DE BRINCAR!!

Filhos não vêm com bula ou manual de instrução, o que torna a tarefa de ser pai/mãe mais complexa e desafiadora, mas também apaixonante.

É natural que os pais se preocupem e pensem no futuro de seus filhos e tentem garantir, de alguma forma, que ele seja o melhor e mais tranquilo possível.

Em épocas de globalização, de alta competitividade, num mundo em que as pessoas têm sido mais valorizadas pelo que têm do que pelo que são, a tarefa de garantir esse futuro tornou-se mais complexa ainda.

Essa necessidade de assegurar um futuro de sucesso para os filhos tem levado inúmeros pais a buscarem, desde muito cedo, investir na formação de seus filhos. Fazem sacrifícios financeiros e logísticos para assegurarem a eles a melhor educação possível. Assim a agenda das crianças é recheada de inúmeros compromissos: aula de inglês, balet, judô, natação, kumon, de algum instrumento musical, etc., etc., etc. Vemos hoje muitas crianças estressadas e deprimidas, com alterações de sono e comportamento (depressão, ansiedade), da mesma forma que muitos adultos.

Nada contra essas atividades. Fazer um esporte, aprender um instrumento, uma língua estrangeira é ótimo. O problema é que não está sobrando tempo para aquela que é a mais importante atividade da infância: brincar!

Brincar de forma espontânea, sem controle ou direção. Brincar pelo simples prazer de brincar. Brincar só e com os amigos. Brincar dentro e fora de casa. Brincar, brincar, brincar. É isso que a criança precisa fazer.

Quando brinca a criança se desenvolve, aprende, socializa, estrutura a base sobre a qual todo o resto será construído. Desenvolve a criatividade, lida com seus sentimentos, experimenta, investiga, descobre e aprimora seus talentos.

Uma criança que brinca faz bagunça e barulho, se suja, mas se prepara para os desafios que a vida lhe trará. Uma criança que brinca é mais feliz!

Todas as etapas da vida têm sua beleza e sua dor. Em cada uma delas existe uma tarefa a ser executada, que se bem vivida prepara o indivíduo para a etapa seguinte. No ímpeto de preparar os filhos para a fase adulta muitos pais estão encurtando a infância, acelerando o processo. Isso é muito triste e perigoso. Cada criança tem o seu próprio ritmo que precisa ser respeitado. Ao acelerar corre-se o risco de construir uma estrutura frágil que não resistirá as pressões.

Se a estrutura for bem constituída todo o resto acontecerá naturalmente. Portanto, vamos deixar as crianças brincarem muito, livremente. Vamos permitir que elas desfrutem da infância ao máximo!!!