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maio 2018

Mudança 3
Comportamento, Geral, Reflexão

NAVEGAR É PRECISO… MUDAR TAMBÉM!

“O segredo da mudança está em centrar toda a sua energia, não em lutar contra o passado, mas em construir tudo novo”. – Sócrates

Li a frase acima num artigo da revista Pensar Contemporâneo. No artigo eles apresentam dez frases de crescimento pessoal de grandes filósofos. Elas me fizeram refletir e vão dar origem a alguns artigos. Esse é o primeiro.

Mudança e transformação estão presentes em nossa vida desde a fecundação, até a morte. Apesar disso muitos têm dificuldade para lidar com isso, têm medo da mudança.

Mudar é ir em direção ao incerto, é levantar âncora e abandonar o porto seguro do conhecido. Para alguns isso é impossível e permanecem, não sem mudar porque é impossível, mas sem ser o autor da mudança. Ficam em relacionamentos onde não são valorizados ou reconhecidos. Ficam em empregos onde não encontram propósito ou satisfação. Ficam ao sabor do vento, seguindo em direção à morte, olhando a vida passar através das janelas.

Às vezes não se sentem capazes ou com direito a transformar-se e à sua vida como desejam. Crenças em discursos antigos, em velhas histórias, em paradigmas caducos são paralisantes. Não querem decepcionar, não corresponder àquilo que acreditam os outros esperam deles. Acomodam-se nos ganhos secundários que toda situação, mesmo as mais difíceis, têm.

No consultório são muitos os casos de pessoas que repetem as histórias familiares, como se fossem um destino ao qual não podem fugir. Sofrem hoje por dores e culpas que não são suas, por feridas que já cicatrizaram.

Com o passar dos anos se perguntam o que aconteceu, se desesperam pelo tempo perdido. Culpam os outros e mais uma vez não mudam, pois agora a crença é de que não há mais tempo…

Sempre há tempo! Só é tarde demais, quando a vida se encerra.

O passado, nossa história, faz parte do que somos, mas não nos define. Sempre podemos mudar, transformar-nos, não num ideal inatingível de anúncios, mas no que podemos e desejamos ser. Lutar contra o passado de nada adianta. Não podemos mudá-lo. É preciso aceitar.

Quando embarcamos num processo terapêutico é isso que fazemos. Olhamos para nossa história, lidamos com as emoções, com os arrependimentos, perdoamos, aceitamos e… deixamos ficar. Levamos conosco o aprendizado, algumas boas lembranças e só.

Como fazer isso?

Alguns cortam as amarras e se lançam, movidos pelo desespero de nunca mudar. Mas sem a bússola da reflexão navegam em círculos e acabam por retornar ao ponto de partida.

Outros se enganam, repetindo o discurso da mudança, mas concretamente pouco fazem.

Os que conseguem são aqueles que diariamente renunciam ao que eram, abandonam os pesos inúteis, e seguem firmes em direção à mudança. Não fazem estardalhaço, nem tem planos mirabolantes. Entendem que chegar ao destino implica em caminhar todos os passos, navegar todas as ondas. Sabem do cansaço, dos tropeços, dos retrocessos, das tempestades, mas seguem em frente. Entendem que a mudança não é o destino, mas o caminhar, o navegar.

Desfrutam do processo, pois há tristeza, mas também alegria. Há dor, mas também beleza. Acima de tudo há a satisfação e o prazer de saber-se o responsável pela transformação.

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Comportamento, Geral, Reflexão

FELICIDADE

Alguns dias atrás me deparei com um vídeo da Casa do Saber onde o professor Oswaldo Giacoia Júnior, falava sobre a angústia e a esperança segundo o filósofo Kierkegaard. Como sempre os vídeos da Casa do Saber são muito interessantes. Não conheço o pensamento de Kierkegaard, mas uma frase do professor Oswaldo me chamou a atenção.

… Nós vivemos um tempo em que somos obrigados a ser felizes. (…) É um imperativo você ser feliz, ser bem sucedido”.

Concordo com essa frase e vejo todos os dias no consultório pessoas – adultos, crianças e adolescentes – buscando esse tipo de felicidade de anúncio de margarina.

O que me chama muito a atenção é que mais do que ser felizes as pessoas querem evitar a qualquer custo a tristeza. Os pais fazem de tudo para evitar que seus filhos lidem com qualquer tipo frustração ou dificuldade.

Bem, o mesmo muro que construímos para nos proteger da tristeza, nos impede a felicidade. Uma vida é plena quando experimentamos todas as emoções e sentimentos: alegria, tristeza, raiva, medo, gratidão, etc.

Se alguém pudesse ser feliz o tempo todo, se nunca tivesse sentido uma tristeza, não saberia disso. Porque nós nos percebemos felizes porque em algum momento estivemos tristes. Sabemos do doce porque experimentamos o amargo.

Ser feliz o tempo todo é viver uma vida de gráfico em linha reta. Num gráfico em linha reta não há vida. Para haver vida é preciso um gráfico com altos e baixos, marcando os batimentos cardíacos. Para haver vida é preciso experenciarmos tristeza e alegria, derrota e vitória, dor e amor.

Claro, faremos tudo para que os altos sejam em maior número, mas não é saudável ou desejável que os baixos nunca aconteçam.

E aí retomo algo que falo sempre: pais que evitam dizer não, dar limite, frustrar seus filhos estão impedido o aprendizado necessário. É preciso aprender a lidar com a frustração. Durante a vida seremos frustrados inúmeras vezes, pois não temos tudo que queremos, na hora e o jeito que queremos.

Quando as crianças encontram os limites dados pelos pais, experimentam a frustração permeada pelo amor. Os pais podem ajuda-los a lidar com isso. É um treino para a vida adulta. Eles se fortalecem, aprendem a não desistir, a superar, a seguir em frente ou, se for o caso, aceitar.

Pais que não dão limites aos filhos, não lhes permitem a frustração, estão plantando a semente de adultos frágeis, despreparados para a vida. Sofrerão muito mais do que o necessário. Essa frustração não será mediada pelo afeto e, muitas vezes, eles não terão os pais por perto para apoiá-los.

A busca pela felicidade duradoura nas coisas é nunca encontrá-la. Essa falta que nunca se completa é o que nos move, mas a felicidade está na busca.

A felicidade está nas relações, no propósito. Ela está em momentos como o que estou vivendo enquanto escrevo este artigo. Ao ar livre, num lindo dia de sol, junto com meus cachorros, que me interrompem para que eu brinque com eles ou faça um carinho. E neste instante… eu sou feliz!