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Análise Corporal da Relação

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Análise Corporal da Relação, Comportamento, Geral, Reflexão

ONDE ESTÁ O HUMANO?

Hoje recebi um vídeo falando de todas as transformações que as novas tecnologias trarão às nossas vidas nos próximos anos. Algumas profissões que conhecemos deixarão de existir ou porque se tornaram desnecessárias, ou porque as pessoas foram substituídas por tecnologia (computadores, apps, inteligência artificial). Não precisaremos mais dirigir carros, haverá menos acidentes, menos vidas serão desnecessariamente perdidas. Poderemos imprimir nossos sapatos novos em casa! Ao mesmo tempo que tudo isso parece fantástico, me parece igualmente assustador.

Um dos motivos que me assustam é que essas transformações parecem tirar o humano, a relação, da equação. Somos seres sociais e foi a nossa capacidade de trabalharmos colaborativamente que nos tornou a espécie dominante no planeta, é o que nos ensina Harari no livro “Sapiens. Uma breve história da humanidade”. Somos seres sociais e necessitamos do outro, necessitamos das relações para nos desenvolvermos, para sobrevivermos.

Acho fantástico um software ou app que, acoplado ao meu celular pode verificar a minha retina, avaliar o meu sangue, a minha respiração e a partir daí analisar o meu estado geral, diagnosticar alguma desequilíbrio ou doença para que providencias possam ser tomadas. Ótimo! Isso vai salvar vidas, vai permitir o diagnóstico precoce de uma série de doenças e assim por diante. Mas não me parece que isso possa substituir a consulta a um médico. Porque para além do diagnóstico e tratamento o que precisamos é de alguém que nos escute, que se interesse por nós e que nos aconselhe, que cuide de nós. Precisamos da relação.

Comprar um par de sapatos é uma experiência. Ver vitrines, muitas vezes com uma amiga, experimentar, caminhar pela loja, conversar com a vendedora, etc. É muito mais do que simplesmente imprimir um sapato novo.

A experiência do humano não pode deixar de existir. Precisamos desse contato. Precisamos de pessoas. Isso não de forma virtual, mas de forma real e concreta. Precisamos do toque. Existem pesquisas científicas recentes que comprovam isso.

Estamos nos isolando cada vez mais. “Conversamos” todos os dias através do WhatsApp com nossos amigos, mas não conseguimos nos encontrar para um café. Sabemos notícias dos parentes que moram em outras cidades, mas passamos semanas sem ver os que moram por perto (tudo bem, em alguns casos isso pode ser uma benção!).

Os casos de depressão, de transtornos de ansiedade e outros aumentam a cada dia e até mesmo crianças têm sofrido com isso. Talvez uma das razões é que estamos diminuindo o convívio entre as pessoas. Um convívio sem interferência da tecnologia. O celular “senta-se” à mesa, as redes sociais tornam as relações virtuais e ocupam o tempo das relações reais.

Toda essa transformação é um caminho sem volta. E traz, com certeza, muitos ganhos. Mas precisamos, como em tudo na vida, de equilíbrio. Aproveitar o que a tecnologia traz de melhoria e vantagem, sem perder o que nos distingue como raça, o que nos torna humanos.

 

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5 MINUTOS

Não escrevo já faz algum tempo…

É sobre o tempo que quero escrever.

Aproveitei que o dia está lindo, sol, e vim até o jardim do meu edifício junto com meus cachorros para escrever. Eles ficam soltos, aproveitam para brincar e correr e eu escrevo.

A inspiração não vinha e a Princesa queria brincar! Larguei tudo e fui correr com ela enquanto o Moringa, já um senhor, nos observava.

Corremos uns 5 minutos. Que delícia que é vê-la correndo!

Foi daí que me veio a inspiração.

A grande queixa dos nossos tempos é a falta de tempo. Além do trabalho, de todas as atividades, ainda tempos as inúmeras redes sociais para acompanhar, postar, etc.

Muitas vezes ouvi que tempo é uma questão de preferência.

Não sei se preferência, mas de escolha. Escolher aquilo que é mais importante e ao que vamos dedicar o nosso tempo.

Tempo é o nosso bem mais precioso. Temos uma quantidade finita de tempo e ninguém sabe quanto tem. É justamente por isso que ele deve ser bem empregado.

A dificuldade que temos com a escolha, e não só em relação ao tempo, é que para cada escolha são inúmeras a renúncias que fazemos. Se escolho brincar com meu cachorro, esse é um tempo que não dedico ao Facebook, ao Instagram, ao Whatsapp. É um tempo que não leio, não escrevo, não produzo.

Foram 5 minutos. Ela ficou feliz, eu fiquei feliz! Hoje a noite quando for escrever no meu diário de gratidão, com certeza escreverei sobre esse momento. Não vou escrever sobre o que li e escrevi nas redes sociais ou sobre o que vi na televisão.

Acredito que precisamos pensar um pouco mais sobre nossas escolhas. Precisamos fazer escolhas mais sábias, baseadas no que é realmente importante para nós e não aquilo que é importante para os outros. Precisamos fazer isso já e não quando o tempo tiver passado e momentos preciosos tenham sido perdidos. O tempo que passou não volta.

Pense nisso quando seu filho pedir para você ler uma história, brincar um pouco.

Pense nisso quando seus pais quiserem conversar, contar novamente a mesma história.

Pense nisso quando um amigo quiser tomar um café.

Pense nisso quando seu amor quiser mais um beijo ou demorar-se um pouco mais num abraço.

5 minutos talvez sejam suficientes e vão fazer um grande diferença.

Pense nas boas memórias que você tem. Quantas delas são de um instante, de um momento, de 5 minutos…

Não importa o que você faça o tempo não para. Escolha bem.

Você tem 5 minutos!

 

 

 

 

 

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O IMPORTANTE É A PESSOA!

Nos últimos tempos muito tem sido falado, discutido, debatido sobre a identidade de gênero, e nesses últimos dias após a liminar de um juiz no Distrito Federal a “cura” gay voltou a pauta.

Como tem acontecido com as polêmicas, todo mundo tem uma opinião a respeito, mesmo sem ter tido acesso ao processo, ao texto da liminar, ou conversado com os agentes envolvidos. Algumas opiniões são bem argumentadas outras raivosas e preconceituosas.

A sexualidade humana não é minha especialidade como psicóloga, mas acredito que a homossexualidade não é nem doença, nem escolha, assim como a heterossexualidade. Pode-se dizer que são uma característica, uma orientação, uma inclinação… Não é sobre isso que quero escrever.

Percebo que nessa discussão o principal está sendo esquecido: o indivíduo e seu sofrimento, sua dor e o quanto isso afeta suas relações, sejam elas familiares ou sociais. E é só isso que importa.

Na minha prática clínica como psicóloga e analista corporal da relação aprendi que a verdade de cada um é única e particular. Não existe certo ou errado, existe o que faz sofrer, o que impede a realização e a felicidade e o que as propicia. O que é bom e funciona para um, não necessariamente será bom e funcionará para o outro.

Como psicóloga não me cabe julgar ou dar uma opinião e muito menos escolher o caminho que o indivíduo deve seguir. Eu como pessoa tenho minhas crenças, minhas convicções, meus princípios e sei o que me serve ou não. Mas em momento algum e sobre nenhum argumento posso manipular, seduzir ou impor minha verdade àquele que me procura como profissional.

Meu papel primeiro é o de escuta. Uma escuta livre de julgamento de valor, com aceitação e respeito incondicionais. Quem me procura deve ter no meu consultório um espaço para SER, sem medo, sem vergonha, sem restrição ou pudor. Um local onde tudo, absolutamente tudo pode ser dito por mais absurdo ou errado que possa parecer. A pessoa precisa ser acolhida e aceita.

Uma vez estabelecida a relação de confiança é meu papel como psicóloga questionar a pessoa, auxiliá-la a compreender o que acontece, quais os afetos envolvidos, quais as crenças que permeiam a história, enfim, ajudá-la a perceber-se e compreender-se para a partir daí fazer as suas escolhas, sejam elas quais forem, sempre respeitando o seu tempo, seus valores, suas crenças, suas verdades.

O mais importante nesse debate todo é a LIBERDADE. As pessoas precisam ser livres para serem o que são, para fazerem suas escolhas, mesmo que a escolha seja negar aquilo que se é. Toda vez que impomos a nossa verdade ao outro, por mais bem intencionados que somos, erramos.

Acredito ser muito importante debater o tema, trazer informação (fundamentadas em pesquisas e estudos sérios e não baseadas em achismos e palpites), para que as pessoas possam compreender e decidir. CONHECIMENTO é fundamental. Dessa forma evitamos que pessoas e grupos, com interesses e agendas pessoais, manipulem, deturpem os fatos, aprisionem as pessoas em papéis que não lhes cabem.

E por último, mas não menos importante, RESPEITO! Posso não concordar, posso achar uma loucura a escolha do outro, mas preciso respeitá-la.

 

 

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PEIXE INTEIRO NÃO CABE NO FORNO.

 

A família de Julia gostava muito de comer peixe assado. Era uma tradição dos almoços de domingo. Um dia Julia perguntou à sua mãe porque elas sempre cortavam a cabeça e o rabo do peixe antes de assá-lo. A mãe explicou que aprendeu a fazer o peixe dessa forma com a avó de Julia. Ainda intrigada, Julia foi perguntar a sua avó porque cortavam a cabeça e o rabo do peixe. A avó explicou que quando se casou o seu forno era muito pequeno e o peixe inteiro não cabia, assim ela cortava a cabeça e o rabo para poder assar o peixe. Há muitos anos que o forno da avó de Julia, bem como o da mãe e o dela, tem tamanho suficiente para assar o peixe inteiro, mas eles continuavam a perder a cabeça e o rabo. Se Julia não fosse curiosa é provável que suas filhas e suas netas também assassem seus peixes sem cabeça ou rabo. E como a essa altura a avó já não estaria por perto, nunca saberiam porque era feito dessa forma.

Dando aula essa semana sobre percepção e paradigmas, lembrei dessa história que me foi contada alguns anos atrás. Tenho refletido muito sobre o tema nos últimos tempos (não sobre qual a melhor forma de assar peixes, mas sobre paradigmas). Quantas coisas fazemos todos os dias por hábito, porque aprendemos que era o jeito certo de fazer e não questionamos? Quantas oportunidades perdemos porque não arriscamos uma jeito diferente de fazer as coisas? Quantas experiências ricas, divertidas perdemos porque elas fogem do roteiro? Quantas pessoas inteligentes, interessantes deixamos de conhecer porque não correspondem ao padrão?

Nós seres humanos precisamos de uma certa rotina, de alguns referenciais de segurança para podermos viver. Não daríamos conta se a cada dia tudo fosse novo e diferente. Mas isso não significa que precisamos ficar presos a coisas que foram válidas e boas num dado momento, mas que hoje não são mais.

Alguém disse que não podemos mergulhar duas vezes no mesmo rio, porque ele não será o mesmo, nem nós seremos os mesmos. Isso é verdade. Aquilo que preciso, que gosto na minha infância, é diferente do que preciso e gosto na adolescência ou na vida adulta.

A minha ideia não é fazer tudo diferente, jogar para o alto todas as certezas e hábitos, mas .questionar para saber se ainda é válido, se ainda é bom, se ainda quero as coisas da mesma forma

Assisti essa semana uma fala de Ricardo Semler no Ted em 2015. Ele sugere que nos perguntemos “por que?” não uma, mas três vezes. Na primeira vez a resposta virá fácil e pronta. Na segunda já ficaremos em dúvida. Na terceira talvez não encontremos resposta. E depois ele sugere que façamos uma outra pergunta: “para que?”. Qual o propósito que isso tem na minha vida?

Questionar-se é complexo e, muitas vezes, incômodo. Acredito, no entanto, que é melhor do que acordar um dia e ver que tudo mudou a nossa volta, que a vida seguiu em frente, e nós ficamos parados, repetindo os mesmo erros, fazendo as mesmas coisas…

Existem coisas que não podem e não devem mudar. São poucas, muito poucas.

Desejo sinceramente que possamos comer peixe assado com rabo e cabeça ou sem, peixe frito, cozido, com diferentes molhos e temperos. Que possamos experimentar outros pratos, outros sabores, outras cores, outras músicas, outras formas, outros jeitos. E escolher as que mais gostamos, as que nos fazem sentir melhor, que nos fazem vibrar. Aquelas que fazem a vida valer a pena.

 

 

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O MAIS IMPORTANTE AMOR

Hoje é dia dos namorados. Com certeza uma data em que o comércio aproveita para alavancar vendas. Para muitos vai ser um dia de celebração à dois, para outros uma data triste, seja pela saudade, seja pela solidão.

Gosto mais da ideia do Valentine’s Day americano, que vai além dos namorados e celebra o amor. No Valentine’s Day você pode dar um presente ou cartão para um amigo querido, para professora, para qualquer pessoa por quem você nutra um afeto especial, namorados e namoradas incluídos.

Uma amiga acaba de me convidar para irmos buscar o bolo do Santo Antônio. A crença é que se você encontrar a imagem do santo no seu pedaço de bolo encontrará o amor. É a tradição casamenteira do mês de Junho.

Acredito que o importante é celebrar o amor. Não somente o amor romântico, mas todo tipo de amor. O amor que sentimos em nossas famílias por nossos pais, irmão, avós, tios… Um amor que nos foi posto pela vida, que não escolhemos. A primeira experiência de amor é, ou pelo menos deveria ser, vivida neste núcleo. Muitos outros sentimentos se misturam nessas relações, às vezes bastante conflituosas. Pode não ser o maior, nem o melhor, mas foi o primeiro.

O amor que sentimos pelos amigos. São tantas as cores desse amor, quanto são as cores dos amigos. Alguns para todas as horas, alguns para todas as festas, alguns por um tempo, outros para vida toda. Também foram um presente da vida, mas aqui tivemos a possibilidade de escolha. Por isso esse amor se torna tão especial. Dentre tantas pessoas fui a escolhida para receber esse amor.

O amor romântico, para muitos aquele que dá sentido a vida, que completa. Para outros significado de frustração e tristeza. Muitas vezes começa como o fogo da paixão e vai aos poucos se transformando no calor aconchegante do amor construído na convivência, na cumplicidade, na parceria. Amor para vida toda, amor eterno enquanto dura. Amor que dá frutos e se multiplica. Amor que acaba e, muitas vezes, se transforma em rancor, amargura, ódio.

Mas de todos os tipos de amor, um é o mais importante. Sem ele todos os outros serão frágeis. O amor por nós mesmos, chamado de autoestima. Amor que começa a ser cultivado desde o nascimento, tendo como semente o amor dos pais, regado por todos os amores de nossa vida, mas que deve ser por nós cultivado, cuidado com todo o carinho a cada dia.

Quanto mais amor sinto por mim, mais segura me sinto, mais amor posso dar, mas sem prender, sem sufocar. Mais inteira, plena posso estar nas relações, sem medo da perda, de mim mesma ou do outro. Somos a única pessoa que estará presente em nossas vidas até o fim. Devemos cultivar com ela a relação mais amorosa de todas.

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JANEIRO É BRANCO.

Os meses passaram a ter cor. Janeiro é branco.

É uma iniciativa para chamar a atenção para saúde mental e emocional.

Impressionante que esse seja um tema ainda repleto de tanto preconceito, desconhecimento e ambivalência.

A doença mental ainda é associada à loucura, à camisa de força e tantos outros estereótipos.

De fato, a loucura, que as pessoas têm em mente, faz parte da saúde mental. No entanto, não é só isso. Na doença mental estão alterados processos cognitivos e afetivos que levam a alterações de comportamento, raciocínio , compreensão da realidade e adaptação à vida. Entre as mais conhecidas temos a depressão, o transtorno bipolar, a ansiedade, a anorexia, a bulimia, entre outros. Você deve conhecer alguém que teve ou tem uma doença mental. Ela é comum.

Já ouvi muitas pessoas tratarem a doença mental como algo que depende da vontade da pessoa. Isso é um erro. A doença mental pode ter causas orgânicas (de ordem genética, neurológica), ambientais ou psicológicas. Não escolhe idade, sexo, religião, etnia ou orientação sexual.

As pessoas têm uma forma muito peculiar de lidar com a doença mental. Se um indivíduo tem um problema de coração procura um cardiologista. Se tem um osso quebrado vai ao ortopedista. Se tem depressão vai ao clínico geral, ao ginecologista, ao amigo que é médico, à sortista, à igreja, etc. São poucos os que procuram voluntariamente os especialistas: o psiquiatra e o psicólogo. São esses profissionais que se dedicam a estudar, compreender e tratar as doenças mentais, cada um dentro da especificidade de sua área de atuação.

As pessoas contam para os amigos, familiares e conhecidos quando tem um problema de pressão ou de tireoide, mas silenciam quando a doença é mental.

Os brasileiros têm uma tendência forte a automedicação. A maioria não se importa de tomar um medicamento para dor, um anti-inflamatório, etc. Também não se incomodam de tomar medicamentos de uso contínuo para diabete, pressão, tiroide, ainda que preferissem não fazê-lo. Mas na hora de tomar um remédio para uma doença mental é diferente. Não querem tomar, ou começam e querem parar o quanto antes.

Se uma pessoa for internada para tratar um câncer, for para um spa fazer um tratamento para obesidade, tudo bem. Se for internada para tratar de uma doença mental isso é motivo de embaraço, vergonha até.

Isso precisa mudar! Urgentemente.

A doença mental é uma doença como outra qualquer e precisa ser tratada. Todo esses pré-conceitos dificultam a busca e a adesão ao tratamento.

Ela traz sofrimento para a pessoa e seus familiares. É uma dor diferente, mas ela é potencializada pelo silêncio, pela vergonha, pelo preconceito.

Quanto menos se fala, menos se conhece, menos se compreende, mais difícil fica.

Todo início de ano nos propomos a mudar algumas coisas em nossa vida. Vamos deixar o preconceito de lado e mudar a forma como lidamos com a doença mental.

 

 

 

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ANO NOVO, VIDA NOVA?

Será?

Essa é a proposta que nos fazemos a cada final de ano. Faremos muitas mudanças, faremos diferente, vamos começar a fazer, vamos deixar de fazer…

A intenção é real, o desejo também, mas nossos propósitos costumam sucumbir à rotina rapidamente e tudo volta a ser como sempre foi. É assim todos os anos.

Por que?

Porque uma das tarefas mais difíceis que temos na vida é mudar. Mudar hábitos, a rotina, uma forma de pensar, uma forma de agir. Por melhores que sejam nossas intenções e mais fortes os nossos propósitos a tarefa é árdua.

Entre algo ruim ou desconfortável, mas conhecido, e algo novo e desconhecido acabamos por optar (inconscientemente) pela segurança do conhecido. Além disso, temos uma série de ganhos secundários, dos quais muitas vezes não nos damos conta, e que nos levam a manter aquilo que desejamos mudar.

Outro ponto a considerar é que queremos mudar muitas coisas ao mesmo tempo, ou fazer mudanças muito radicais o que torna as coisas mais difíceis.

Para mudar, primeiro é preciso colocar metas possíveis, realizáveis. Nada de exageros! Dividir a meta em etapas, para podermos perceber e celebrar cada passo que nos aproxime do resultado desejado. Celebrar cada conquista é muito importante. Saber que o processo de mudança não é linear, que retrocessos fazem parte e que se hoje você falhou isso não significa que o processo todo está fracassado. Respire fundo, e retome a caminhada.

Planejar antes também é importante, pois muitas das mudanças que queremos necessitam de investimentos ou preparação.

Pedir ajuda também é bom. Contar para pessoas próximas e que gostam da gente, que podem contribuir com o processo, incentivar e, até mesmo, sinalizar quando estamos nos desviando do caminho pode contribuir para o sucesso do projeto de mudança.

No entanto, para algumas mudanças vamos precisar de mais ajuda. Alguém que nos auxilie a compreender o que tem nos impedido de mudar, quais os ganhos secundários que dificultam o processo, quais as crenças envolvidas que atrapalham a mudança.

Buscar um processo terapêutico que nos ajude não só a compreender, mas acima de tudo, a buscar estratégias que nos levem ao sucesso. E, se percebemos que a mudança não é possível, nos ajude a aceitar e a viver bem com essa realidade.

O que buscamos com a mudança, mais do que uma vida nova, é uma vida mais feliz. A felicidade está nesse equilíbrio entre mudança e aceitação. 

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UMA PARADINHA FORÇADA

Há alguns dias sofri um pequeno acidente. Nada grave, mas resultou numa clavícula quebrada com direito a cirurgia, placa e pinos. E, como não poderia deixar de ser, foi a clavícula direita! Cá estou eu, com o braço direito imobilizado até o Natal e com algumas reflexões.

Gosto de pensar que todas as crises que passamos, sejam elas pequenas ou grandes, nos trazem algum tipo de aprendizado. Assim sendo, fiquei me perguntando: o que eu preciso aprender nesse momento?

O primeiro aprendizado foi sobre a capacidade de adaptação do ser humano. Em 15 dias já sou capaz de fazer a maioria das coisas com a mão esquerda. Ficam de fora atividades necessariamente executadas com duas mãos como cortar o bife ou amarrar o tênis.

O que me leva ao segundo aprendizado que, na realidade são dois, mas estão muito interligados: pedir e depender. Eu dependo de pessoas para uma série de atividades diárias e me vejo tendo que pedir ajuda em vários momentos, inclusive para estranhos. Somos dependentes por natureza, não podemos tudo sozinhos. Pedir, talvez seja o mais difícil, pois nos faz admitir a nossa necessidade do outro, a nossa fragilidade em algum aspecto. Com todos os anos de terapia e ACR (Análise Corporal da Relação) aprendi a pedir com mais tranquilidade, mas percebo no consultório como para muitos isso é difícil. Pedir expõe a nossa fragilidade e necessidade do outro, tornando-o mais poderoso, pois possui algo que me falta. Para fazer isso com tranquilidade precisamos ter integrado o nosso próprio poder, de tal forma que dar ao outro o poder de nos ajudar não seja ameaçador.

Por melhor que eu esteja com a mão esquerda, estou muito mais lenta. E, por incrível que possa parecer, continuo fazendo tudo o que fazia antes, num ritmo mais tranquilo e ainda tem me sobrado tempo para ficar sem fazer nada!!! O que me leva ao terceiro aprendizado: correria não é eficiência. Por uma serie de circunstâncias estava muito acelerada, correndo feito louca, com uma sensação de urgência. Muitas vezes a ansiedade que isso trazia me tornava atrapalhada, ficava dando voltas em torno do próprio eixo, sem sair do lugar ou produzir de forma efetiva.

Hoje estou mais tranquila, produzindo bem e de forma mais criativa. Sinto-me mais inteira em cada coisa que faço. A vida tem mais qualidade, mais riso, mais harmonia. Minha vida era muito boa, agora está melhor.

Eu lhes digo, diminuam um pouco o ritmo, respirem, olhem em volta e desfrutem das experiências que a vida lhes traz, mesmo as difíceis. Um pouco de incômodo, desconforto, tristeza ou preocupação é inevitável. São esses momentos que nos fazem tomar consciência dos bons momentos. Lutar contra eles é somar mais um problema à uma situação difícil. Vivê-los e procurar extrair algo de positivo é um caminho para o amadurecimento e a felicidade.

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HOMEM NÃO CHORA

Muitos homens ainda acreditam nisso. Não só que não podem chorar, mas que não podem se emocionar, ter medo, ter sensibilidade, como se essas coisas os tornassem menos “homens”. Pena…

Estou falando de um preconceito que dá às mulheres o direito à fragilidade, ao medo, à emoção e aos homens o direito à força, à coragem, à fortaleza.

Bobagem. Homens e mulheres, ainda que diferentes, têm ambos o direito a sentir e expressar sua força, sua fragilidade, seu medo, sua coragem, sua raiva, seu amor. Ambos sofrem com esses estereótipos.

Outubro foi rosa, novembro é azul!!! E pelos mesmos motivos: conscientizar sobre a importância do autocuidado e da prevenção quando se pensa em câncer. Dessa vez quer se conscientizar os homens sobre a prevenção do câncer de próstata.

Se para algumas mulheres autoexame e prevenção é complicado para muitos homens isso é impossível!! E com isso ficam muito vulneráveis.

A dificuldade começa porque como são vistos como o sexo forte e tal, com um quê de super-herói invencível, pensar na possibilidade da doença é ir contra um princípio básico.

Cuidar-se para os homens é um conceito relativamente novo. Até pouco tempo atrás isso passava pela prática de esportes (o que ia de encontro ao princípio do herói ágil e forte) e idas ao barbeiro (reduto masculino por excelência). Hoje isso mudou. Homens e mulheres se encontram no salão sem problema. Homens não vão apenas para cortar o cabelo, mas fazem pedicure, manicure, tintura e depilação. Isso sem que sua masculinidade seja ameaçada ou questionada. Ótimo!

Mas quando a questão é ir ao médico para fazer exame de próstata as coisas ainda continuam difíceis. Preconceito diretamente ligado à sexualidade masculina, envolto no fantasma da homossexualidade. A piadinha geralmente envolve o receio de gostar, se apaixonar pelo médico etc. O assunto é sério e deve ser respeitado, mas não pode ser maior que a saúde, maior que a vida.

Nós mulheres temos um papel importante a desempenhar aqui. Primeiro incentivando nossos maridos, namorados, amantes, pais, amigos, irmãos a irem ao médico e fazerem todos os exames necessários. Ajudando-os a vencer o preconceito.

Segundo é ensinando nossos filhos desde pequenos que eles devem se cuidar, que eles devem se amar a esse ponto. Mostrando a eles que podem ser frágeis e fortes, podem ser corajosos e ter medo, que podem chorar!!!!

Porque, minhas queridas, todo homem machista, que não chora, não respeita a mulher, etc. tem uma mãe!