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Conversas em tempos de Pandemia 1

Olá!

Espero que vocês estejam bem.

Estamos passando por um momento singular. O mundo vive uma pandemia e nós estamos reclusos em casa por conta da quarentena que nos foi imposta. Precisamos cuidar das pessoas que amamos, de nossa comunidade e de nós mesmos.

Vivemos uma crise e temos que lidar com uma série de emoções e sentimentos. Medo, ansiedade, raiva, solidão, entre outros. A mudança na rotina e a convivência num espaço limitado o dia inteiro é um desafio.

Como para a maioria de vocês minha rotina também mudou. As aulas da faculdade estão suspensas e tive que me adaptar. Aprendi a dar aula online, criei atividades diferentes para que os alunos possam continuar com seu processo de formação e aprendizagem. Deixei de ir ao consultório. Os pacientes adultos e adolescentes tenho atendido online, mas as crianças e os pré-adolescentes estavam sem atendimento até essa semana.

A quarentena fez com que pais e filhos tenham que conviver em novas condições e com uma intensidade muito maior. Essa pode ser uma situação muito boa, de resgate, de estreitamento de laços, de redescoberta, porém também pode ser um tanto difícil para todos.

Sabendo disso entrei em contato com os pais para saber como estavam e para dar um apoio, quem sabe uma orientação, sugestões de atividades.

Fui surpreendida, pois as crianças e pré-adolescentes quiseram conversar. Marcamos um horário e cada um, na privacidade de seu quarto, conversou comigo. Eles me mostraram que eles também estão tendo algumas dificuldades e incertezas nesse momento.

Nos próximos artigos vou falar sobre o que podemos fazer para ajudá-los a atravessar essa tempestade com mais tranquilidade.

Um carinhoso abraço.

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FEMININA

Sou mulher e tenho a felicidade de conviver com muitas mulheres sejam elas de minha família, amigas, alunas, colegas, pacientes, colaboradoras…  Mulheres de todos os tipos. Algumas ainda são crianças, nem se sabem mulheres ainda. Outras jovens, algumas mais experientes e vividas. Vaidosas, peruas, despojadas, modernas, tradicionais. São todas diferentes, mas igualmente belas. Cada uma tem uma forma, um corpo, um jeito, um trejeito, uma maneira de ser. Todas únicas e, por isso, perfeitas na sua singularidade.

Observo os diversos papéis que elas assumiram em suas vidas. Todas são filhas. Umas desfrutam do cuidado de suas mães, outras tornaram-se mães de seus pais. Para algumas a maternidade é um sonho realizado, para outras desejado e para muitas não faz sentido. As relações de amor são de todos os tipos que a época em que vivemos permite. A grande maioria trabalha, cuidando da casa e da família, atuando nas mais diversas profissões ou as duas coisas.

Pobres, ricas ou da classe média todas fazem o possível para serem belas. Muitas não reconhecem a sua própria beleza e buscam o ideal inalcançável do fotoshop. Esquecem que são reais, que seus corpos contam sua história, que as marcas são das experiências vividas, dos encontros e desencontros.

Para mim são todas poderosas, ainda que algumas não se sintam dessa forma. Todas possuem o poder de ser mulher, do feminino. Um poder único.

Infelizmente esse poder não tem sido valorizado ou até mesmo reconhecido. Na luta pelo lugar de cidadã de direitos, pela liberdade de ser o que desejasse, de fazer as suas escolhas, de ir e vir, de realizar seu propósito de vida, de existir plenamente, muitas mulheres perderam o contato com esse poder que vem da essência do feminino. Confundiram ter os mesmos direitos que os homens, com ser iguais aos homens. Não somos.

Somos diferentes na forma, na textura, na biologia, na essência. Da mesma forma nosso poder, nossa força são diferentes. Nem melhor, nem pior. Nem mais, nem menos. Diferentes.

O poder feminino é o poder de gerar a vida em seu ventre e nutri-la em seu seio. O poder de conter afetivamente, não só o filho, mas todos a quem ama. De gerar ideias, de fazê-las crescer, dar frutos. De alimentar as relações, os sonhos – seus e de outros – com seu afeto, sua determinação.

O corpo de uma mulher foi nossa primeira morada e o feminino tem o poder de transformar em um lar a casa, onde somos bem-vindos, onde nossa dor é acolhida, nossas alegrias e realizações celebradas. Um lar onde podemos descansar, lamber as feridas, recuperar nossas forças. Lugar de onde saímos para o mundo e para onde podemos voltar.

A mulher tem o poder de criar vínculos, ligar os pontos, aproximar os distantes. Poder de tecer uma teia, não que aprisiona, mas que conecta, que sustenta, que protege. Da mesma forma que o filho se une ao seu corpo, ela tem o poder de unir as pessoas, fortalecer as relações.

É forte, capaz de defender seu filho, sua família, seus amigos, suas ideias.  E essa mesma força usa para realizar seus sonhos, construir a vida que deseja e merece, ir além.

Em alguns momentos emprestamos o poder masculino, pois a situação exige. Da mesma forma, eles emprestam nosso poder quando precisam. Tudo bem, desde que não renunciemos a nossa essência.

Quando entramos em contato com nosso poder, reconhecermos sua grandeza, sua força, sua beleza, quando o assumimos plenamente sem medo ou culpa, encontramos a paz e a felicidade de ser quem somos: mulheres.

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O MAIS IMPORTANTE DE TUDO

Este é o último artigo do mês das crianças. Nos artigos anteriores refleti sobre a infância, sua beleza, singularidade, sobre as preocupações dos pais, mas, acima de tudo, enfatizei a importância do brincar. Acredito que tenha ficado claro o papel que o brincar desempenha no desenvolvimento da criança.

Hoje quero falar de um momento de brincadeira que tem para criança uma relevância especial e que terá repercussões a longo prazo. Falo dos momentos de brincadeira vividos com o pai e com a mãe.

É muito, muito importante que os pais brinquem com seus filhos. De boneca, de carrinho, de princesa e super-herói, dentro de casa e ao ar livre. Que possam entrar no mundo da fantasia e assumir os mais variados papéis, seja de mocinho ou de vilão, de filho, de aluno, do que a imaginação da criança precisar.

Esses são momentos especiais! Nesse brincar os laços afetivos se fortalecem e se estreitam, e é isso que vai dar sustentação aos momentos de dar limites, de ensinar coisas que os filhos precisarão para vida. São os laços construídos nessa fase que permitirão que os embates da adolescência aconteçam de forma saudável e sem rupturas.

Brincar com o filho é o melhor investimento que os pais podem fazer. Mas esse brincar exige presença. É preciso estar com a criança de verdade, por inteiro. Nesse momento precioso o celular deve estar desligado, é preciso estar desconectado das mídias sociais. Seu filho merece e precisa de sua atenção.

Muitos falam do “tempo de qualidade” que têm com os filhos. Que bom, mas não é suficiente. Eles precisam de quantidade também! Eles precisam sentir que são importantes, que são merecedores do seu tempo. Porque de todos os bens que nós temos, o único que é limitado (e ninguém sabe quanto tem), o único que não pode ser recuperado é o nosso tempo. É nosso bem mais precioso. Investir esse bem para brincar com seu filho é dar-lhe a dimensão do seu amor por ele.

A infância passa rápido. Participe, esteja presente, viva esses momentos com seu filho, seja testemunha de suas descobertas, de suas invenções, de suas “artes”. Construa com eles memórias, histórias, experiências… De todas as coisas que um pai e uma mãe podem dar para um filho, esses momentos de brincadeira são os mais importantes, pois são a base sobre a qual tudo o mais será construído ao longo do tempo.

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BRINCAR NA ESCOLA

Nos artigos deste mês tenho repetido o quanto brincar é importante para o desenvolvimento das crianças, que é algo sério e que deve ser respeitado e incentivado, especialmente nos primeiros anos da infância. É através do brincar que a criança descobre o mundo e suas possibilidades. Descobre a si mesma e todas as suas capacidades, vence desafios que vão ser a base de todo o aprendizado formal.

As crianças vão cada vez mais cedo para escola. E percebo o quanto a escolha dessa primeira escola pode ser difícil. Muitas vezes pais me perguntam qual a melhor opção. Sempre respondo que a melhor escola é aquela em que o filho é feliz.

No entanto, quando se trata da Educação Infantil existem alguns pontos que considero fundamentais.

A escola tem que passar segurança e tranquilidade aos pais, pois as crianças são muito pequenas, ainda bastante dependentes e os pais precisam confiar muito na escola para deixar seu filho lá. Para que a criança fique bem, os pais precisam estar seguros.

É importante que as turmas sejam pequenas, para que o professor possa dar a devida atenção para todos.

Uma área externa onde a criança possa brincar livremente, possa explorar, com grama, terra, areia, árvores. Se uma criança chega da escola sem sujeira no uniforme, areia dentro do tênis, um arranhão de vez em quando, ela não brincou o suficiente.

Que a escola não se preocupe em alfabetizar a criança o quanto antes. Como psicóloga e psicomotricista insisto em dizer que uma criança de 5 anos ainda não precisa fazer nenhuma atividade em folhas A4 que envolvam o traçado das letras. Ela deve usar papeis maiores, tintas, argila, todo o material que favoreça o desenvolvimento da sua consciência corporal, da coordenação motora global e fina. Se ela tiver tido oportunidade de viver intensamente o prazer psicomotor, o traçado e o aprendizado das letras e números acontecerá naturalmente.

Sei que algumas crianças são curiosas nesse sentido. Devem ter a sua curiosidade atendida, mas não devem ser ensinadas precocemente.

Não tenham pressa em ver seus filhos escrevendo e lendo. Quanto mais eles brincarem, explorarem os materiais e o espaço, mais facilmente aprenderão.

A infância é um período único na vida. Deve ser vivida intensamente, saboreada lentamente, desfrutada em todas as suas possibilidades.

Dessa forma a melhor escola é aquela que respeita a infância e permite que ela floresça, sem pressa, respeitando o ritmo de cada criança. Aquela onde o brincar é uma prioridade.

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BRINCADEIRA DE CRIANÇA

Depois de muitos anos temos novamente uma criança na família! Como isso é bom. Uma criança renova, traz vida, alegria para a casa (e claro fraldas, noites insones, etc.).

Esses dias fiquei cuidando dela enquanto os pais saiam para resolver alguns assuntos. Imenso prazer!! Fiquei observando ela brincar. Ela está com 07 meses e já brinca com seus brinquedos, mas gosta muito de tudo o que não é brinquedo, ensaia engatinhar. O que mais me chamou a atenção é o seu olhar. Um olhar curioso, confiante, alegre, capaz de se surpreender. Um olhar de criança.

Toda criança é assim – ou deveria ser – explora o mundo através do olhar e do seu corpo. Vive a alegria da descoberta. Para ela nada está pronto, tudo é possibilidade.

Quando ficam um pouco mais velhas, e já conhecem a linguagem e o simbólico, essas possibilidades se ampliam enormemente.

No consultório, durante uma sessão de Psicomotricidade Relacional com crianças de 03, 04, 05 anos sou testemunha desse universo. Um bastão (macarrão de piscina) pode ser a espada do herói que luta contra o dinossauro, ou dragão, ou bandido (normalmente esse papel cabe a mim). Pode ser um microfone para o show da artista mais famosa do universo ou a guitarra de um astro de rock. Podem ser utilizados para construir pontes sobre rios caudalosos cheios de tubarões, ou casas, ou trilhas, ou fogueiras. As possibilidades são infinitas. E por mais que eu já tenha perdido a conta do número de sessões que já fiz com bastões, chega um dia e uma criança encontra uma nova forma de brincar com esse material. É surpreendente!!!!

E elas fazem isso com qualquer coisa. Pode ser uma pedra, uma folha, um graveto, o que elas encontrarem. Duas cadeiras e um lençol e temos uma cabana onde inúmeras aventuras podem ser vividas. Caixas de papelão? Castelos e fortalezas, berços, carros, barcos…

Em algum momento isso se perde. O olhar não é mais tão curioso, o mundo começa a ter um jeito certo de ser visto, a vida é colocada na caixa e lá deve ficar. Depois quando chegam na idade adulta querem que a pessoa seja criativa, pense fora da caixa. Desaprendeu.

Todo brinquedo (ou quase todo) é bom. Com os que reproduzem a realidade em miniatura as crianças brincam de faz de conta, mas de um modo geral uma panelinha é usada para fazer comidinha e só. Um boneco do homem de ferro permite viver uma série de batalhas, mas os superpoderes dele já estão determinados.

Isso é bom, mas quando as crianças encontram o brinquedo nos objetos mais improváveis tudo é possível! O limite é a imaginação delas. Elas podem criar as histórias mais incríveis, aquelas que nunca ninguém contou. Exercitam e desenvolvem a sua criatividade.

Vamos dar às crianças oportunidades diferentes de brincar e não deixemos nunca que sua curiosidade e sua criatividade sejam colocadas dentro de uma caixa.

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BRINCAR, BRINCAR E BRINCAR!

Todo pai, toda mãe quer o melhor para os filhos. Faz parte desse desejo dar a eles, e se possível garantir, um futuro promissor. Querem que seus filhos sejam bem sucedidos, que eles tenham sucesso, que possam ter uma independência financeira que lhes aumente as possibilidades de escolha, garanta uma vida tranquila e segura. Querem que eles sejam felizes. Esse desejo é legítimo e natural.

Nessa busca procuram dar aos filhos a melhor educação e o melhor treinamento possível. Escolhem a melhor escola que conseguem pagar. A que tenha o melhor ensino, bilíngue (a tendência do momento), maior acesso a tecnologia e a que proporcione as melhores chances de sucesso no vestibular, afinal a concorrência é cada vez maior e o futuro depende da entrada na Universidade. Para isso também investem em uma série de outras atividades como Kumon, esportes – os mais variados como natação, futebol, judô e outras lutas marciais – aulas de dança, teatro, circo, música.

Esse excesso de atividades tem consequências sobre as quais quero refletir nesse e nos próximos artigos.

Crianças precisam de uma agenda, como os adultos, para organizar a quantidade de compromissos que elas têm. Infelizmente, sobra pouco espaço para o que é mais importante para elas: brincar.

Crianças precisam de tempo para brincar!

Quanto menores elas forem, mais tempo precisam. As maiores e os adolescentes também precisam de tempo livre para não fazer nada, para estar com os amigos, etc.

Por que é tão importante brincar? Porque enquanto brincam livres as crianças desenvolvem uma série de competências psicomotoras que são a base necessária para o aprendizado formal, sem as quais ele pode ser dificultado. E muito!

Através do simbolismo presente no faz de conta de suas brincadeiras as crianças treinam para vários papéis que exercerão ao longo da vida, aprendem a lidar com as emoções e processam alguns dos acontecimentos de sua vida real.

Através de seus jogos aprendem a vencer desafios, negociar, colaborar, estabelecer parcerias, defender seus pontos de vista. Exercitam a criatividade, descobrem o mundo, experimentam, afirmam-se. Brincar é uma das experiências mais ricas e importantes da infância!

Os adolescentes precisam de tempos livres para sonhar, para processar todas as mudanças pelas quais estão passando, para poderem, aos poucos, irem definindo o que querem para o seu futuro, fazendo suas escolhas.

Muitos autores atestam a importância de momentos de tédio, de não fazer nada. De olhar para o teto e sonhar…

Infelizmente com tantas atividades isso não é possível.

Soma-se a isso a onipresença dos celulares e tablets. Não sou contra a tecnologia, elas vieram para ficar e podem contribuir e muito com a educação e o desenvolvimento das crianças. O problema é a forma que ela está sendo utilizada. A falta de equilíbrio. Mas isso é assunto para outro artigo.

Por enquanto um apelo a todos os pais e mães: deixem tempo livre para que seus filhos possam brincar. Isso vai prepara-los para a vida feliz e realizada que vocês tanto desejam para eles.

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DO QUE UMA CRIANÇA PRECISA PARA CRESCER FELIZ?

As sementes se encontram e porque o sol e a chuva nutrem a planta, ela germina. Começa como pequeno botão, que vai se encorpando até que brota em bela e exuberante flor, com sua beleza e perfumes únicos, cheia de vida e alegria. Assim é a criança. Assim é a infância. Época de desabrochar, de desenvolver, de crescer. Época de alegria, curiosidade, de busca incessante pela vida, pelo conhecimento.

Essa analogia pode ser um pouco piegas, brega até, mas como as estações do ano e suas semelhanças com as etapas da vida foi o tema do último artigo, foi assim que esse se impôs em minha mente.

O fato é que a infância é uma época muito especial na vida de nós seres humanos. Da mais profunda dependência, que não nos permite sobreviver sem que alguém de nós se ocupe, vamos nos desenvolvendo e crescendo, aprendendo e aperfeiçoando até chegarmos a autonomia possível.

Algumas condições são necessárias para que tudo corra da melhor forma e todo o potencial se desenvolva. Alimentação, higiene, sono, etc., mas uma de fundamental importância para que esse processo siga na direção de um adulto feliz é o amor incondicional dos pais.

Toda criança precisa se saber, se sentir amada incondicionalmente. Isso não significa aceitar e atender todos os seus desejos, valorizar, como grande feito, qualquer de suas ações.

Esse amor do qual estou falando é aquele que aponta os erros, que reconhece os acertos. Que condena o mal feito, mas que não se apequena por causa deles. Não é o amor do se. Se você for bonzinho, se você se comportar, se você tirar boas notas, se você for como idealizei, se…

O amor incondicional protege, mas não coloca a criança numa redoma de vidro, que impede qualquer sofrimento, mas a impede de aprender, de conhecer o mundo, de experimentar… Porque é assim, proteção demais impede a dor, mas não permite o amor, as alegrias.

Ele protege, mas não sufoca. Acompanha, observa, permitindo que a criança vá construindo aos poucos a sua identidade, vá descobrindo o mundo e todas as suas possibilidades.

Está atento e se ela se aproxima de algo que vai colocar a sua vida em risco: a protege. Está ao seu lado para compartilhar de suas descobertas, para vibrar com ela, para aprender com ela, mas também para dar conforto, colo, cuidar dos arranhados e “galos” que são inevitáveis, mas não para impedi-los a qualquer custo. São eles que a fortalecem, que ajudam a criança a desenvolver a resiliência de que ela precisará quando for adulta.

Esse equilíbrio entre proteger e deixar viver é complexo. As crianças não nascem com manual de instrução. No momento em que elas nascem, também nasce um pai e uma mãe. Assim como a criança, os pais vão aprendendo e se desenvolvendo a cada dia. Ao longo dessa caminhada vão ser surpreendidos com belas paisagens, alguns obstáculos. Vão errar e acertar, mas se existir amor, a probabilidade maior é de que tudo corra bem.

Não existe uma receita de bolo para ser um bom pai ou uma boa mãe. Existem inúmeros ingredientes, sabores e formas, e cada um vai descobrir o seu jeito. No entanto, existem alguns princípios que norteiam esse processo.

Estamos no mês de outubro e vou aproveitar o mês dedicado às crianças para refletir sobre isso, na intenção de ajudar os pais a encontrarem os seus caminhos, a sua forma única e especial de exercer a paternidade e a maternidade.

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AS ESTAÇÕES E A VIDA

A primavera chegou e com ela as flores, os dias de sol, mais pássaros…

Para muitos na vida humana também existem as quatro estações. A infância seria representada pela primavera, época de flores, de alegrias, de desabrochar. O verão seria a adolescência, com suas temperaturas altas, muito sol, muita energia, uma época vibrante. O outono seria a vida adulta. Uma bela estação, de cores douradas, temperaturas amenas, uma época de serenidade. O inverno representaria a velhice, quando as folhas e as temperaturas caem, tudo fica cinzento.

Talvez seja assim, mas esses dias ao caminhar pensei que na realidade as estações acontecem o tempo todo em nossa vida, às vezes num mesmo dia. Pensei que a vida é como Curitiba, todos os climas podem acontecer num mesmo dia. Saia de casaco e guarda-chuva mesmo num dia quente e com sol, porque tudo pode mudar a qualquer momento.

E assim é a vida. Um dia estamos em plena primavera, cheios de planos, alegres, leves. É a alegria tranquila, serena de quem sabe o que quer, aonde vai.

Noutros dias estamos verão, as emoções são intensas, sejam elas quais forem. Estamos entusiasmados, cheios de energia, com uma sensação de que podemos conquistar o mundo! Talvez não o mundo, mas tudo o que desejamos. Estamos mais destemidos.

Muitas vezes estamos outono. Meio preguiçosos, mais caseiros, querendo desfrutar com tranquilidade da vida e do que conquistamos. Queremos estar perto dos que amamos em silêncio, pois nada precisa ser dito, tudo é simplesmente sentido e compreendido.

E em vários momentos estamos inverno. Nossas folhas caem, nossas esperanças vão embora, nossos dias ficam cinzentos, estamos tristes. Nossos planos não dão certo, as frustrações são grandes, os amores vão embora e levam parte do nosso coração…

Muitos acham que o inverno é doença, é depressão. Tristeza não é doença. Em alguns momentos precisamos nos recolher, olhar para dentro, lamber nossas feridas. Quem olha de fora fica preocupado, parece que a vida está indo embora de nós. Engano. Ela está tomando fôlego, para brotar mais bela e exuberante como uma primavera.

Muitos querem fugir do inverno, esquecem que só existe primavera porque houve inverno, que as pragas são mortas no frio das geadas o que permite o brotar saudável das flores e frutos.

Em alguns momentos o inverno é mais rigoroso. Aí sim é preciso tomar cuidado. Nesses momentos temos que recorrer as estufas ou outro tipo de proteção sejam elas os amigos, uma terapia, um remédio.

Mas como acontece na natureza, mesmo após o mais longo e forte inverno a primavera, com suas cores e vida, chega novamente.

Todos temos a nossa estação preferida. A minha é o outono. No entanto, precisamos aprender a desfrutar da beleza de todas elas. Assim como na vida podemos não querer o inverno, mas é ele que nos permite reconhecer a beleza das outras estações.

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ONDE ESTÁ O HUMANO?

Hoje recebi um vídeo falando de todas as transformações que as novas tecnologias trarão às nossas vidas nos próximos anos. Algumas profissões que conhecemos deixarão de existir ou porque se tornaram desnecessárias, ou porque as pessoas foram substituídas por tecnologia (computadores, apps, inteligência artificial). Não precisaremos mais dirigir carros, haverá menos acidentes, menos vidas serão desnecessariamente perdidas. Poderemos imprimir nossos sapatos novos em casa! Ao mesmo tempo que tudo isso parece fantástico, me parece igualmente assustador.

Um dos motivos que me assustam é que essas transformações parecem tirar o humano, a relação, da equação. Somos seres sociais e foi a nossa capacidade de trabalharmos colaborativamente que nos tornou a espécie dominante no planeta, é o que nos ensina Harari no livro “Sapiens. Uma breve história da humanidade”. Somos seres sociais e necessitamos do outro, necessitamos das relações para nos desenvolvermos, para sobrevivermos.

Acho fantástico um software ou app que, acoplado ao meu celular pode verificar a minha retina, avaliar o meu sangue, a minha respiração e a partir daí analisar o meu estado geral, diagnosticar alguma desequilíbrio ou doença para que providencias possam ser tomadas. Ótimo! Isso vai salvar vidas, vai permitir o diagnóstico precoce de uma série de doenças e assim por diante. Mas não me parece que isso possa substituir a consulta a um médico. Porque para além do diagnóstico e tratamento o que precisamos é de alguém que nos escute, que se interesse por nós e que nos aconselhe, que cuide de nós. Precisamos da relação.

Comprar um par de sapatos é uma experiência. Ver vitrines, muitas vezes com uma amiga, experimentar, caminhar pela loja, conversar com a vendedora, etc. É muito mais do que simplesmente imprimir um sapato novo.

A experiência do humano não pode deixar de existir. Precisamos desse contato. Precisamos de pessoas. Isso não de forma virtual, mas de forma real e concreta. Precisamos do toque. Existem pesquisas científicas recentes que comprovam isso.

Estamos nos isolando cada vez mais. “Conversamos” todos os dias através do WhatsApp com nossos amigos, mas não conseguimos nos encontrar para um café. Sabemos notícias dos parentes que moram em outras cidades, mas passamos semanas sem ver os que moram por perto (tudo bem, em alguns casos isso pode ser uma benção!).

Os casos de depressão, de transtornos de ansiedade e outros aumentam a cada dia e até mesmo crianças têm sofrido com isso. Talvez uma das razões é que estamos diminuindo o convívio entre as pessoas. Um convívio sem interferência da tecnologia. O celular “senta-se” à mesa, as redes sociais tornam as relações virtuais e ocupam o tempo das relações reais.

Toda essa transformação é um caminho sem volta. E traz, com certeza, muitos ganhos. Mas precisamos, como em tudo na vida, de equilíbrio. Aproveitar o que a tecnologia traz de melhoria e vantagem, sem perder o que nos distingue como raça, o que nos torna humanos.